Médicos que atuam no Pronto Socorro de Barra do Garças comunicaram nesta quinta-feira (1º) a suspensão dos atendimentos que não sejam considerados de urgência e emergência. Segundo os profissionais, a medida está relacionada a atrasos nos pagamentos pelos serviços prestados.

De acordo com o comunicado encaminhado à gestão municipal de Saúde, os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos integralmente. Os médicos afirmam que a decisão foi tomada de forma organizada e responsável para chamar a atenção para a necessidade de regularização dos pagamentos e de condições adequadas para o exercício da atividade.

A situação também envolve profissionais médicos que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que, segundo as informações divulgadas, também enfrentam atrasos nos pagamentos.

Gestão afirma que encontrou pagamentos atrasados

A secretária municipal de Saúde, Pollyana Varjão, informou à reportagem que assumiu a pasta com três meses de pagamentos pendentes, referentes a junho, julho e agosto. Segundo ela, o pagamento de junho foi posteriormente realizado, permanecendo em aberto os meses de julho e agosto, além do mês de setembro.

Os médicos que prestam serviço ao município possuem contratos por meio de pessoa jurídica (PJ), diferentemente dos servidores que integram diretamente a folha de pagamento.

Na quarta-feira (30), a Prefeitura informou ter realizado o pagamento de aproximadamente R$ 13 milhões aos servidores que fazem parte da folha municipal. A secretária de Finanças, Luene Souza, afirmou que a gestão tem buscado cumprir os prazos de pagamento dos servidores.

“Efetuar o pagamento do servidor em dia é um compromisso que temos todos os meses na busca pela valorização do seu trabalho”, declarou.

Falta de medicamentos e insumos

Além dos atrasos nos pagamentos, também há relatos de falta de medicamentos e insumos no Pronto Socorro. Entre os itens apontados estão ceftriaxona, cefotaxima, piperacilina com tazobactam, prometazina, dobutamina, tenoxicam, hidrocortisona, dexametasona, ciprofloxacino, cetoprofeno e omeprazol.

Segundo as informações repassadas, medicamentos utilizados em situações de emergência, como tramadol e morfina, estariam com estoque reduzido.

A situação dos insumos ainda não foi detalhada oficialmente pela Secretaria Municipal de Saúde.

Repasse estadual

Durante visita a Barra do Garças após assumir o comando do Estado, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) anunciou o compromisso de elevar o repasse estadual destinado à saúde municipal de R$ 800 mil para R$ 2 milhões mensais.

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde não havia informado se os repasses estaduais estão regularizados.

Questão das folgas dos enfermeiros

Outro ponto que vem gerando discussões na rede municipal é a organização das folgas dos profissionais de enfermagem. O intervalo entre jornadas havia sido suspenso durante a gestão da então secretária Salete Terezinha Lauermann.

Segundo Pollyana Varjão, a atual gestão já se reuniu com representantes da categoria e está buscando alinhar uma solução para a questão.

Ministério Público Federal apura atrasos

Em agosto, o Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar supostos atrasos nos pagamentos de médicos que prestam serviços ao município de Barra do Garças.

A suspensão parcial dos atendimentos ocorre em meio a esse cenário de dificuldades financeiras e administrativas enfrentadas pela saúde municipal. Conforme o comunicado dos médicos, os serviços de urgência e emergência continuarão sendo realizados normalmente.

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